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A dor de cabeça, conhecida também como cefaleia, é um dos problemas mais comuns e frequentes a atingir a saúde das pessoas. Cerca de 95% da população em geral afirma já ter experimentado o incômodo em algum momento da vida1. Dentre os vários tipos de dor de cabeça, a enxaqueca é um dos mais complexos, com uma constelação de sintomas bem documentados, como náusea, vômito, fotofobia e fonofobia2.
No entanto, um aspecto da enxaqueca que não é tão discutido envolve a redução da capacidade cognitiva nos pacientes, inclusive nos períodos entre as crises3

Afinal, essas dores de cabeça podem mesmo causar confusão mental? E se sim, esses danos são permanentes? Conversamos com o neurologista Rogério Lima para entender melhor a questão e para saber como minimizar as consequências à saúde física e à capacidade cognitiva de quem sofre com enxaquecas. Confira!

Enxaquecas afetam a cognição e têm impactos na qualidade de vida

A enxaqueca é um tipo de cefaleia primária, caracterizada por dor pulsante ou latejante, geralmente unilateral, com episódios que podem durar de 4 a 72 horas. Pode ser acompanhada de vômitos, náuseas, sensibilidade à luz, ao som ou a cheiros. Requer tratamento regular adequado e acompanhamento médico constante1. Mesmo não sendo considerada um sintoma central da enxaqueca, a perda de capacidade cognitiva não é incomum. Memória verbal e não verbal, atenção básica, velocidade de processamento de informações e funções executivas são alguns dos elementos cognitivos afetados pela enxaqueca, inclusive se manifestando logo antes ou depois das crises e até mesmo nos períodos entre as crises3.

A dor, desconforto e perda da clareza mental não são os únicos problemas relacionados à enxaqueca. Esse distúrbio também costuma ser incapacitante e trazer vários impactos negativos para os relacionamentos sociais e profissionais dos pacientes. A natureza imprevisível dos ataques, que podem surgir a qualquer momento, é um dos principais fatores que prejudicam a qualidade de vida tanto dos pacientes como de suas famílias. Um estudo populacional realizado no Canadá mostrou que metade dos pacientes com enxaqueca largam as atividades durante uma crise e um terço precisa de repouso total. Para mais de 70% dos entrevistados, a enxaqueca afetou relacionamentos pessoais4.

Devido à imprevisibilidade das crises, um fator preponderante nesses pacientes é o medo do próximo ataque, levando muitos a realizar ajustes em seus estilos de vida ou até mesmo limitar suas atividades, a fim de recuperar algum senso de controle4.

O que são os processos cognitivos?

“Quando falamos em cognição, acabamos nos referindo de forma geral, mas o conceito abrange, principalmente, alguns aspectos: além da memória, linguagem, atenção, há ainda aspectos relacionados à articulação do cérebro a gestos e movimentos, além de percepções visual, auditiva, tátil e associativa”, explica Dr. Rogério.

A dor de cabeça pode resultar em um raciocínio mais lento

De forma direta, a relação entre diferentes tipos de cefaleia e falhas cognitivas se dá pelo fato de que, no momento em que estão acontecendo, dores persistentes ou crônicas demandam nossos recursos atencionais5. Ou seja, a pessoa pode, sim, sentir a mente confusa durante uma crise de dor de cabeça e ter dificuldades para realizar tarefas corriqueiras, como se concentrar, ler, realizar cálculos, por exemplo, uma vez que o cérebro está direcionando energia para o problema da dor. “Isso não quer dizer que a pessoa ficará menos inteligente, por exemplo, mas pode ter um raciocínio mais lento, desempenhar algumas tarefas relativas a funções executivas mais lentamente”, complementa Dr. Rogério. “Essas falhas de cognição tendem a ser temporárias, durante o período em que a pessoa sofre com a dor. No entanto, é possível que se tornem mais frequentes e importantes em casos de dor de cabeça crônica ou enxaqueca”.

No caso das cefaleias tensionais, a confusão mental pode ser ainda maior. Além de lentidão em processos de compreensão e interpretação de informações, o desempenho psicomotor tende a ser mais devagar do que em pessoas que não são atingidas por dor de cabeça tensional.6.

Já em pessoas que sofrem com cefaleias em salvas, a dor pode afetar não só capacidades cognitivas, como a memória, e, ainda, causar oscilações de humor5. Por ser extremamente intensa e com duração que pode variar entre 15 minutos a 3 horas, com picos intermitentes de dor, a cefaleia em salvas é particularmente incapacitante1.

A enxaqueca, que também tende a ser incapacitante, seja por causa da dor moderada a severa, seja por sintomas associados como a sensibilidade à luz e aos sons1, tem também a característica de afetar a memória dos pacientes6. Outros processos cognitivos também são prejudicados durante as crises e pacientes frequentemente apresentam dificuldade de se concentrar, pensar com clareza e lidar com múltiplas tarefas, independente da complexidade7 8

Investigação e tratamento adequados

Para o neurologista Rogério Lima, além da observação da frequência e tipos dos lapsos cognitivos, o foco da pessoa que sofre com episódios de cefaleia ou enxaqueca precisa estar na dor de cabeça em si: a frequência, intensidade e aos impactos que esse incômodo tem em sua vida. “Quando as dores se tornam limitantes e afetam negativamente o indivíduo é hora de buscar um neurologista especializado. Assim, o indivíduo realizará um tratamento personalizado, que não só investigará as causas da dor, mas avaliará se problemas cognitivos são fruto das cefaleias ou de algo que exija outras condutas médicas.”

Outro alerta feito pelo especialista é sobre mudanças bruscas na maneira como a dor se manifesta em cada pessoa, pois podem ser um sinal de algo mais grave. “É importante que o paciente saiba diferenciar os tipos cefaleia para notar mudanças no padrão das dores, de modo que possíveis doenças mais graves sejam detectadas, evitando danos sérios ou permanentes não só à cognição, mas a saúde como um todo”, finaliza o neurologista.

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Referências:

  1. [1]: Ahmed F. Headache disorders: differentiating and managing the common subtypes. British Journal Of Pain. 2012; 6(3): 124–132. - Consultado em 11/09/2020
  2. [2]: Huang L, Dong HJ, Wang X, Wang Y, Xiao Z. Duration and frequency of migraines affect cognitive function: evidence from neuropsychological tests and event-related potentials. The Journal of Headache and Pain. 2017; 18(1): 54 - Consultado em 14/10/2020
  3. [3]: Vuralli D, Ayata C, Bolay H. Cognitive disfunction and migraine. The Journal of Headache and Pain. 2018; 19(109) - Consultado em 14/10/2020
  4. [4] Anand KS, Sharma S. Quality of life in migraine. Drug Development Research. 2007; 68(7): 403-411 - Consultado em 15/10/2020
  5. [5] Torkamani M, Ernst L, Cheung LZ, Lambru G, Matharu M, Jahanshahi M. The Neuropsychology of Cluster Headache: Cognition, Mood, Disability, and Quality of Life of Patients With Chronic and Episodic Cluster Headache. Headache. The Journal of head and face pain, 2015 Feb; 55(2): 287–300 - Consultado em 11/09/2020
  6. [6] Smith AP. Acute Tension-Type Headaches Are Associated with Impaired Cognitive Function and More Negative Mood. Front Neurol. 2016; 7: 42. - Consultado em 12/09/2020
  7. [7] Moore DJ, Keogh E, Eccleston C. Headache impairs attentional performance. Pain: September 2013 - 154(9): 1840-1845. - Consultado em 12/09/2020
  8. [8] Vuralli D, Ayata C, Bolay H. Cognitive dysfunction and migraine. The Journal of Headache and Pain. 2018; 19:109 - Consultado em 12/09/2020

Atualização do site: Janeiro/2021

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