Dor de cabeça pode ser sintoma de estresse? Entenda os sinais e veja como evitar um problema ainda mais sério - dicas, orientações e mais!
A tecnologia invadiu nosso dia a dia. Seja ao estudar ou trabalhar no computador, ou simplesmente ao se comunicar através do celular, estamos sempre com algum aparelho ligado por perto. Com o uso exagerado dos gadgets, nosso corpo pode desenvolver problemas como: dor de cabeça, vista cansada12, e até a síndrome do pescoço de texto, que gera dores musculares3 e a necessidade de corrigir a postura. O uso excessivo de dispositivos tecnológicos, como celulares, também pode ter impactos negativos na qualidade do sono e, assim, amplificar a quantidade e intensidade de crises de enxaqueca4. No entanto, não é necessário se desconectar totalmente e, para enfrentar estes problemas, separamos alguns cuidados que você precisa ter ao usar a tecnologia no dia a dia.
A vista cansada, também conhecida como presbiopia, é um fenômeno relacionado ao envelhecimento e que afeta, em geral, a visão de objetos próximos.5 No entanto, a fadiga ocular digital, um problema associado ao uso de dispositivos tecnológicos por longos períodos de tempo, também está associada ao termo.1 "A vista cansada é caracterizada pela perda da capacidade de focar objetos localizados a curtas distâncias, podendo muitas vezes reduzir a qualidade de vida e a produtividade das pessoas", explica a oftalmologista Dra. Carine Sobreira.
A fadiga ocular causada pelo uso da tecnologia se apresenta com uma variedade de sintomas. "Esse problema pode se apresentar de diversas maneiras, desde dores de cabeça e fadiga visual, até quadros de sensibilidade à luz, lacrimejamento, olhos vermelhos, ardência e coceira nos olhos, e afastar os objetos para tentar vê-los com mais clareza.1 Os sintomas tendem a piorar no fim do dia", pontua Dra. Carine. "A dificuldade de focar, com consequente esforço para manter as imagens nítidas, pode gerar uma demanda excessiva da musculatura ocular, o que reconhecemos como aumento de esforço acomodativo. Essa solicitação constante pode provocar dores de cabeça, principalmente após longas sessões de leitura ou uso de telas".
A enxaqueca é uma doença complexa que pode causar, além da dor de cabeça, sintomas como fotofobia (sensibilidade à luz), fonofobia (sensibilidade a sons), náusea e vômito. Os pesquisadores ainda estão tentando elucidar totalmente os mecanismos desse problema, mas algumas pesquisas mostram que o uso excessivo de smartphones pode complicar o quadro direta e indiretamente.4
Indiretamente, o uso excessivo do smartphone pode estar ligado à enxaqueca por meio do efeito adverso que esse dispositivo pode ter no sono, tanto em termos de quantidade e qualidade. Um estudo publicado em 2019 na revista Neurosciences estabelece uma relação entre o uso excessivo destes gadgets com a frequência, intensidade e duração da dor de cabeça nas crises de enxaqueca, a redução na qualidade do sono e a sonolência durante o dia.4
Para os pesquisadores, a qualidade do sono dos pacientes com enxaqueca, já abalada pela própria doença, é ainda mais prejudicada pelo uso excessivo dos smartphones. Outros fatores prejudiciais incluem possíveis efeitos de campos eletromagnéticos dos celulares no cérebro, a luz azul emitida pelas telas e até mesmo a exigência de permanecer conectado constantemente, o que amplia o estresse e o efeito burnout, contribuindo para a piora nas crises.4
Não bastassem os olhos, a musculatura da coluna também sofre com o uso excessivo da tecnologia, especialmente dos tablets e smartphones, que podem causar a chamada síndrome do pescoço de texto. Relacionada também com alguns tipos de dor de cabeça, essa síndrome é caracterizada pelo dano na coluna causado pelo excesso de uso de dispositivos para assistir vídeos ou enviar textos, por exemplo, por longos períodos de tempo, causando sintomas como dor no pescoço, dor na parte superior da coluna e nos ombros, dor de cabeça crônica e maior curvatura da coluna.3
Isso ocorre porque, ao olhar para a tela do aparelho, estando de pé ou sentado, a pessoa geralmente leva a cabeça ligeiramente para baixo, dobrando a cervical (parte delicada da coluna localizada na região do pescoço, importante para sustentar o peso da cabeça) à frente
Se engana, no entanto, quem acha que a dor no pescoço não tem ligação com a dor de cabeça. A cefaleia do tipo tensional, por exemplo, é relacionada à dor em músculos da cabeça, do ombro e do pescoço.7 A fisioterapeuta Gilda Fittipaldi afirma que essa ligação é comum entre as queixas dos pacientes. "Existem várias causas para as dores no pescoço chegarem a gerar a dor de cabeça, dentre elas o encurtamento muscular, uma tensão na musculatura por problema postural ou estresse, que pode irradiar e provocar dor de cabeça. Além disso, o encurtamento da cervical pode diminuir a irrigação sanguínea que vai em direção à cabeça, gerando dor", explica Gilda.
Com atenção e pequenas mudanças, é possível criar consciência sobre a posição do corpo enquanto usa tecnologia e fazer ajustes que, com o tempo, podem gerar bons resultados e aliviar problemas como a vista cansada e a síndrome do pescoço de texto.
A fisioterapeuta Gilda Fittipaldi ensina a postura correta a adotar em duas situações:
Deixe os pés totalmente apoiados no chão, com os calcanhares na direção dos joelhos, formando um ângulo de cerca de 90 graus entre a panturrilha e a coxa. Ao olhar o aparelho, a metade da tela deve estar só um pouco abaixo do olhar horizontal.
O apoio do antebraço é muito importante para não sobrecarregar a musculatura dos ombros, que pode gerar dor no pescoço e dor de cabeça. Mantenha o cotovelo flexionado e o meio do antebraço apoiado sobre a mesa. No caso de usar um laptop, coloque-o sobre um suporte e use um teclado separado.
Quando estiver sentado, se for usar o aparelho para fazer lives ou ligações de vídeo, por exemplo, o ideal é colocá-lo em um suporte para que a tela fique na altura dos olhos. Pode optar, também, por colocar uma almofada no colo para apoiar os braços e erguer o celular à frente.
Quando estiver em pé, evite deixar o smartphone embaixo da linha do olhar, o ideal é não flexionar a cabeça para baixo e levar o queixo junto do peito. Para evitar isso, flexione ligeiramente o cotovelo e suba a mão e o antebraço deixando a tela do aparelho na linha dos olhos, com o seu queixo paralelo ao chão.
A Fisioterapeuta Gilda Fittipaldi sugere ainda outros cuidados:
A enxaqueca pode afetar gravemente sua qualidade de vida e impedi-lo de realizar suas atividades diárias normais.6
Algumas pessoas acham que precisam ficar na cama por dias seguidos, mas vários tratamentos eficazes estão disponíveis para reduzir os sintomas e evitar novas crises de enxaqueca. Converse com o seu médico.6
1. Sheppard AL, Wolffsohn JS. Digital eye strain: prevalence, measurement and amelioration. BMJ Open Ophthalmology. 2018;3:e000146.- Consultado em 12/09/2020
2. Böyükbaş IT, Kurt ANC, Hesapçioğlu ST, Uğurlu M. Relationship between headache and Internet addiction in children. Turkish Journal of Medical Sciences. 2019; 49(5): 1292–1297.- Consultado em 12/09/2020
3. Samani PP, Athavale NA, Shyam A, Sancheti PK. Awareness of text neck syndrome in young-adult population. International Journal of Community Medicine and Public Health. 2018 July; 5(8) - Consultado em 15/09/2020
4. Demir YP, Sümer M. Effects of smartphone overuse on headache, sleep and quality of life in migraine patients. Neurosciences. 2019 Apr; 24(2): 115-121 - Consultado em 15/10/2020
5. Patel I, West SK, Maghrabi E. Presbyopia: prevalence, impact and interventions. 2007 Sep; 20(63): 40-41 - Consultado em 15/09/2020
6. Ribeiro PVB, Teodoro ECM, Miranda VCR, Ribeiro KS. Análise postural cervical em usuários de telas digitais. Rev Ciên Saúde. 2019;4(3):19-29 - Consultado em 14/09/2020
7. Fernández-de-las-Peñas C, Fernández-Mayoralas DM, Ortega-Santiago R, Ambite-Quesada S, Palacios-Ceña D, Pareja JA. Referred pain from myofascial trigger points in head and neck–shoulder muscles reproduces head pain features in children with chronic tension type headache.Journal of Headache and Pain. 2011; 12: 35-43 - Consultado em 12/09/2020
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